sábado, 28 de julho de 2012

Sem castidade, não há amor!



Dom Redovino Rizzardo 
Bispo de Dourados (RS)

Em entrevista ao “Fantástico”, da Rede Globo, no dia 20 de maio, Maria da Graça Meneghel, a popular Xuxa, em meio a muita emoção, contou que foi abusada sexualmente na adolescência: "Não foi apenas uma pessoa, mas várias. Parou quando eu tinha 13 anos. Eu tinha medo de falar, pois temia passar por tudo isso novamente. Uma dessas pessoas era o melhor amigo do meu pai, que queria ser meu padrinho; outra, um cara que ia casar com minha avó; o terceiro, um professor".
Perguntada por que isso aconteceu com ela, respondeu que, talvez por ser alta, chamava a atenção dos homens e, por muitos anos, se sentiu culpada pelo que acontecia: "Sempre achei que eu estava fazendo alguma coisa errada: ou era minha roupa ou era o que eu fazia que atraía a atenção. Essas coisas me doem, me machucam. Quando eu me lembro de tudo o que aconteceu, que eu nada podia fazer porque não sabia, não tinha experiência, me dá vontade chorar. O que uma criança pode fazer?".
Para ela, a violência que assola hoje a sociedade começa sempre – ou quase sempre – dentro do lar: "Descobri que 80% das crianças que estão nas ruas se prostituindo – a palavra nem seria essa, porque elas não sabem o que fazem –, roubando e se drogando, sofreram algum tipo de abuso e de violência dentro de casa. Foi isso que fez com que elas saíssem por aí".
Dentre as pessoas que comentaram o assunto na internet, uma me chamou a atenção pela inclemência: "Com suas maneiras provocantes de se vestir e de se exibir, ainda se queixa que foi abusada? Você teve o que quis! Primeiro seduz, depois se queixa! Você faz como muitas outras mulheres: abusam da sensualidade para atrair os homens e, depois, choram!".
As críticas se acentuaram no dia 27 de junho, quando se soube que o Superior Tribunal de Justiça deu ganho de causa ao Google na ação que Xuxa lhe moveu em 2010, por ter publicado fotos e vídeos em que ela aparece nua em cenas de sexo.
A sociedade atual acabou erotizada como nunca antes acontecera. Tudo gira a partir e em torno do sexo, visto muito mais como uma ocasião de prazer egoísta e passageiro do que fruto ou incentivo de relações sadias, que constroem e plenificam as pessoas. Não será também esta uma das causas do crescimento assombroso dos casos de estupro, de pedofilia, de divórcio e, inclusive, de roubos e assassinatos? De acordo com os antigos escolásticos, “salus ex integra parte – a saúde é sempre integral”. Se o olho está doente, é todo o corpo que fica prejudicado. Se alguém é escravo de seus instintos sexuais, dificilmente saberá controlar-se em outros aspectos da vida familiar, social e econômica.
É o que perceberam os Bispos Latino-Americanos, em sua Conferência de Aparecida, em 2007: "O consumismo hedonista e individualista que coloca a vida humana em função de um prazer imediato e sem limites, obscurece o sentido da vida e a degrada. A vitalidade que Cristo oferece nos convida a ampliar nossos horizontes e a reconhecer que, abraçando a cruz cotidiana, entramos nas dimensões mais profundas da existência. Jesus Cristo nos oferece muito mais do que esperamos. À Samaritana, ele não dá apenas a água do poço. À multidão faminta, ele concede muito mais do que o alívio da fome. Entrega-se a si mesmo como a vida em abundância".
Por mais cafona que isso possa parecer, se ainda suspiramos por um mundo justo e fraterno, será preciso voltar a acreditar na castidade. É o que demonstra o “Catecismo da Igreja Católica”:"Castidade é a integração correta da sexualidade na pessoa e, com isso, a unidade interior do homem em seu ser corporal e espiritual. A sexualidade, na qual se exprime a pertença do homem ao mundo corporal e biológico, torna-se pessoal e verdadeiramente humana quando é integrada na relação de pessoa a pessoa, na doação mútua integral e temporalmente ilimitada do homem e da mulher. A virtude da castidade comporta, portanto, a integridade da pessoa e a integralidade da doação".
Para Xuxa, a violência das ruas tem a sua origem na falta de amor em casa. Só faltou acrescentar – mas, talvez, ela jamais teria coragem de o afirmar: sem castidade, não existe amor! A não ser que, por amor, se entenda a carência existencial que se tenta saciar com a dissolução dos costumes, raiz da corrupção que inferniza hoje a sociedade.

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